"Pecado é provocar desejo e depois renunciar."
(Renato Russo/Marisa Monte)

sexta-feira, 12 de março de 2010

Morre cartunista Glauco Villas Boas



O cartunista Glauco Villas Boas, conhecido como Glauco, 52 anos, e seu filho Raoni Villas Boas, 25 anos, foram mortos na madrugada desta sexta-feira (12) durante uma tentativa de assalto na residência da família em Osasco, na Grande São Paulo.
Os dois foram socorridos e levados para o Hospital Albert Sabin, na Lapa, Zona Oeste de São Paulo, mas chegaram mortos ao local. O hospital confirmou a entrada dos corpos de pai e filho à 0h45. Os corpos chegaram ao Instituto Médico Legal de Osasco às 6h50 desta sexta-feira. Ninguém foi preso, segundo a Polícia Militar. O acusado pelo crime é o estudante Carlos Eduardo Sundfeld Nunes, de 24 anos, que seria um ex-adepto. O rapaz, que já tem passagem por porte de drogas, foi reconhecido por pelo menos quatro testemunhas. A polícia desmentiu a versão apresentada pelo advogado da família, ricardo hambro, de que pai e filho tinham sido vítimas de latrocínio - roubo seguido de morte. Segundo o delegado Seccional de Osasco, Arquimedes Cassão, o pai do estudante também responde por tráfico de drogas.

Glauco e a família moravam na comunidade. O estudante chegou ao local na madrugada desta sexta-feira, por volta de 0h30m, ao fim de uma cerimônia de Santo Daime, em um Gol cinza. Há duas versões para a discussão que culminou com a morte de pai e filho.

Numa delas, o rapaz teria iniciado uma discussão com Raoni. Glauco teria se aproximado e o estudante atirou nos dois. A outra é que o desentendimento começou com Glauco, num terreno ao lado da residência da família, e que Raoni, que acabava de chegar da faculdade, viu o pai ser ameaçado e interveio. Pouco antes, o próprio estudante teria ameaçado se matar e teria sido impedido pelo cartunista.

Pai e filho foram mortos com quatro tiros cada um, disparados por uma pistola 765. Dez tiros foram disparados - dois foram balas perdidas.

Glauco era adepto de santo daime, fundador da comunidade e coordenador do grupo céu de maria . O conjunto de aproximadamente 10 casas fica numa área de mata na Estrada Alpina, perto do Pico do Jaraguá, na Zona Oeste da capital paulista. Para chegar até o local, é preciso percorrer cerca de 1 km de estrada de terra, em desnível.

Boletim de ocorrência registrou homicídio

A versão do advogado da família não chegou sequer a ser mencionada no boletim de ocorrência, registrado no 1º Distrito Policial de Osasco. O caso foi registrado como homicídio e não como latrocínio - roubo seguido de morte.

O boletim de ocorrência informa que Glauco e Raoni foram mortos por volta de 0h30m. Quando viaturas da Polícia Militar chegaram ao local do crime, pai e filho já tinham sido encaminhados ao hospital Albert Sabin, onde morreram. De acordo com a Secretaria de Segurança Pública, os criminosos eram três e ocupavam um Gol cinza.

É fácil entrar na comunidade. Não há guaritas ou serviço de segurança, apenas um portão de madeira e um muro de cerca de 1,20 metro de altura. Nesta sexta, depois do crime, a PM mantém uma viatura no local, impedindo a entrada da imprensa e de curiosos. O crime chocou os vizinhos.

-Ele era um vizinho muito tranquilo e querido. Trabalhava em casa e saía pouco - diz o eletricista Luiz Antonio Alves, que mora a 300 metros da comunidade, instalada no fim da Estrada da Alpina, no bairro Santa Fé, em Osasco.

A comunidade Céu de Maria, cujo nome é Centro Eclético da Fluente Luz Universal, teria sido formada pelo próprio cartunista.

Os moradores da comunidade não quiseram se pronunciar. Um homem que se identificou apenas como Jessie - não quis dar o sobrenome - entrou na Céu de Maria na manhã desta sexta. Disse que todos estão muito abalados e que o crime é uma tragédia, mas não quis fazer outros comentários sobre o assassinato.

A trajetória de Glauco

No começo dos anos 70, o paranaense Glauco foi trabalhar no "Diário da Manhã", em Ribeirão Preto, onde fazia a tira "Rei Magro e Dragolino". Pouco tempo depois, em 1976, o jovem cartunista foi premiado no Salão de Humor de Piracicaba. Com o destaque do prêmio, no ano seguinte ele começou a publicar esporadicamente suas tiras na Folha de S. Paulo.

Mas, foi a partir de 1984 que ele passou a desenvolver tiras diárias para competir com as americanas. Foi na Folha, que começou a parceria com Angeli e Laerte. Os três alcançariam sucesso nas bancas em revistas como a "Chiclete com Banana", com tiragens de até 150 mil exemplares e com a tira "Los 3 amigos".

Autor de tipos como "Dona Marta", "Zé do Apocalipse", "Doy Jorge" e "Geraldinho", Glauco manteve-se fiel ao seu traço único, com nanquim no papel. Ele também fez parte da equipe de redatores do programa "TV Pirata", da TV Globo. Glauco também era músico e tocava guitarra em bandas de rock.

Atualmente, ele publicava diariamente seus trabalhos, entre tirinhas e charges, no jornal Folha de S.Paulo.

O cartunista era frequentador do Santo Daime, uma manifestação religiosa surgida na região amazônica, sendo padrinho fundador da igreja Céu de Maria, que ficava em sua casa, onde deve ser velado.


Fonte: Globo online

segunda-feira, 8 de março de 2010

Casal deixa criança de três meses morrer

Um casal sul-coreano "viciado em internet" deixou sua bebê de três meses morrer de inanição enquanto criava uma filha virtual na web, disse a polícia local. Segundo a agência de notícias oficial Yonhap, o casal alimentava sua bebê prematura apenas uma vez por dia, entre períodos de 12 horas passados em um internet café.

O oficial da polícia Chung Jin-won disse à Yonhap que o casal “perdeu a vontade de viver uma vida normal” depois que os dois perderam seus empregos. O pai, de 41 anos de idade, e sua mulher, 25 anos, foram presos na cidade de Suweon, ao sul de Seul, no início da semana, cinco meses depois de terem reportado a morte da bebê. Eles estavam foragidos desde a morte da criança.

"Eu sinto muito pelo que fiz e espero que minha filha não so mais céu", disse o pai num site da Uol.

A autópsia mostrou que sua morte foi provocada por um longo período de desnutrição. O casal teria ficado obcecado em criar uma menina virtual chamada Anima, no popular jogo Prius Online, disse a polícia nesta sexta-feira.

O jogo permite aos jogadores interagir com Amina e enquanto fazem isso, a ajudam a recuperar sua memória perdida e desenvolver emoções.

Já houve outros casos de morte ligados ao vício em jogos de computadores na Coreia do Sul, onde um jovem morreu supostamente depois de passar cinco dias jogando com apenas pequenos intervalos.

FONTE:http://www.qatarliving.com/taxonomy/term/48477



Homem mata adolescente assediada pela Internet

O britânico Peter Chapman admitiu nesta segunda-feira (8) na justiça que estuprou e matou uma adolescente de 17 anos que seduziu pelo Facebook.


Chapman, de 33 anos, mentia ser mais jovem e usava fotos de um adolescente para atrair meninas na rede social. Segundo reportagem do jornal “The Daily Mail”, o homem já havia sido preso por estupro outras duas vezes.


Ashleigh foi estrangulada em 25 de outubro do ano passado. O corpo da jovem foi encontrado em um campo próximo a Sedgefield, no interior da Inglaterra.


Segundo o promotor Graham Reeds, amigas da adolescente contaram que ela tinha baixa autoestima porque os garotos não se interessavam por ela.

Na investigação, a polícia encontrou no computador diversos diálogos da jovem com o estuprador. “Desde o começo, ele parecia obcecado por sexo e tentava marcar encontros com ela”, disse o promotor ao "Daily Mail". Chapman também mandou mensagens de texto explícitas para o celular da adolescente.


O homem admitiu os crimes no primeiro dia de seu julgamento, nesta segunda. A sentença ainda não foi determinada pelo juiz.

FONTE:http://g1.globo.com/Noticias/Tecnologia/

sexta-feira, 5 de março de 2010

Sexta com chuva....

Pensei ... Como me presentear numa sexta-feira nublada, premeada com uma conjuntivite, irritante? Lembrei-me de uma crônica do Miguel Falabella. Gostoso de se ler, como tudo que escreve. Um presente para mim e pra quem gosta de boa leitura. Boa sexta-feira de sol e de chuva!


"No teatro, só sobrevivem aqueles que conseguem suportar
o tal olhar que o abismo lança de volta"

Sentado num canto da imensa sala de ensaios eu, como o narrador de Isherwood, sou uma câmera. Diogo Vilela está cantando uma canção enquanto vai-se transformando em Zazá, um renomado travesti da Riviera, seu personagem em “A Gaiola das Loucas”. É fascinante observar um ator no exercício da criação, eu penso, enquanto ele evolui pela sala, seguindo os passos de seu número. Não sei por que, mas me vem à mente um pensamento de Nietzsche sobre o perigo de se olhar para o abismo, porque ele termina olhando de volta. No teatro, só sobrevivem aqueles que conseguem suportar o tal olhar que o abismo lança de volta, eu penso, porque é essa a sensação que temos ao encarar um novo texto, uma nova história, uma nova vida. Começar do zero, engatinhar, descobrir um caminho que é só nosso e, principalmente, aprender a respirar como nos pede o autor. Começar outra vez, é isso. Atravessar o túnel em busca da luz. O fato é que, por essas e outras, a mirada do abismo volta e meia nos ronda. Agora, a canção já está no meio e eu me preparo para entrar em cena, enquanto a chuva castiga sem piedade a São Paulo que também se prepara para o Carnaval.

A chuva cai sobre o telhado do galpão e cria um fundo sonoro constante e monótono. A câmera que eu sou, talvez operada por algum mecanismo da memória, resolve buscar um plano de algum momento do passado e eu vejo o rosto de minha mãe num reflexo do vidro, que surge entre a lente que são meus olhos e a cena da peça que avança – agora, Diogo aplica um batom vermelho e a cor faz mamãe sorrir, porque para a família de papai, mais burguesa e, de certa forma, conservadora, mamãe era conhecida como “vermelha”. A gente sabe que está envelhecendo quando ainda usa termos como esse, eu penso, mas enfim... Mamãe esteve presa por algumas horas durante a revolução, porque a Faculdade de Filosofia da época fervia de ideias e vários professores foram denunciados. Isso, é claro, contribuiu para aumentar sua fama e o adjetivo era dito de forma carinhosa e galhofeira nas reuniões da família de papai. Ela não ligava e convivia com as tias professoras primárias e os tios militares com uma harmonia e uma felicidade que foram um grande legado, eu penso hoje em dia. Mamãe era uma mulher de esquerda, é claro, mas de uma esquerda encharcada de humanidade, que realmente honrava seu princípio básico.

Transitava como ninguém por Sartre e Marcuse e sentava-se à noite, ao lado da família, para assistir aos folhetins de Janete Clair. Aliás, lembrei agora de um pensamento de Herbert Marcuse que tem a ver com o movimento dessa câmera que sou eu, no ensaio à tarde: o tempo não cura nada, mas tira o incurável do foco central. O agudo final da canção de Diogo me traz de volta e eu ainda vejo mamãe desaparecer como uma névoa que se dissipa soprada pelo vento. Sinto saudades dela, gostaria de ouvir sua voz outra vez. Alguém me chama a atenção. Eu preciso entrar em cena. Avanço na direção de Diogo e tropeço na primeira fala. Peço desculpas e recomeço. É a tal história. O abismo sempre olha de volta. Sempre. Lá fora, continua a chover.

Miguel Falabella é ator, diretor, dramaturgo e autor de novelas.

Fonte:http://www.istoe.com.br/colunas-e-blogs/